sábado, 25 de setembro de 2010


Lunatic Soul (Black Album)

Bom, o que dizer de um albúm totalmente alheio a tudo, que não se pode
imaginar algo similar (de modo superficial e rápido) e assim não
conseguir enquadrá-lo em algum estilo por ser um verdadeiro mosaico
único de variados estilos (e apostas)? 

Lunatic Soul... eis a resposta. Projeto solo do Mariusz Duda, vocalista
e baixista da aclamada banda de metal progressivo, Riverside.


Comentar e analisar esse disco é um verdadeiro deleite, assim como a
audição, seja ela atenta ou dispersa, talvez pelo fato desse disco ter a
predôminancia do violão (aço), voz suave e um clima de calmaria mórbida que se fazem presente em todas as faixas. Baterias, synth, teclados e, claro, o
baixo aparecem em segundo plano, na "cozinha" do disco, sendo vez ou
outra chamados à "sala de estar", e isso não os torna tímidos, pelo
contrário, incrementam assuntos plausiveis e tornam mais agradável a
"conversa" que se passa na "sala de estar".


O clima proporcionado pelo violão/voz/morbidez, elementos principais
dessa verdadeira excursão, tem a capacidade eficaz de nos remeter ao
leste europeu e seu longo período de socialismo. No qual as antigas
estruturas, de aço ou alvenaria, registram e guardavam os urros
"silenciosos" dos acometidos pela cortina de aço. Tal sentimento, um
desejo inefável de se libertar ou, pelo menos, tornar lúcido algo que
incomoda o âmago... é nesse clima de nostálgia, que pode se tornar mais
ou menos acentuado conforme sua embriaguez, contrastado com
introspecções não-agradáveis que é "rodado este filme".

Poderia destacar algumas faixas mas ainda que uma ou outra sobressaia,
seria uma desfeita às demais e isso, talvez, diminuísse o grande êxito e
mérito do Mariusz Duda na obra por um todo. Cada música é pertinente a
proposta do albúm, as partes se encaixam como uma engrenagem, disforme
talvez, mas que sem uma parte, ínfima, perderia seu brilho e
funcionalidade. E por isso mesmo destaco a obra como um todo, um
trabalho bastante meticuloso em seus detalhes e tem como primazia a
qualidade auditiva, com músicas bastante inspiradas e saturadas de
sentimento, uma combinação que tem a capacidade de ensejar sentimentos, 
no mínimo, instrospectivos e talvez lamuriosos...

 


Excelente disco, uma verdadeira jóia rara e "vista"   por poucos... abarca influências e utiliza recursos desde o folk (quase) cru de Nick Drake (bastante visível a influência desse inglês neste trabalho do Duda) com seu vocal único e destreza musical, na composição e execução, além do clima lamurioso e sempre introspectivo, alternado como momentos mais felizes (que não são verificados no lunatic soul); até o post rock delineado e "crescido"  nesta primeira década do novo século, que utiliza de synth e outros instrumentos de modo a criar toda uma atmosfera bastante condizente com o que se quer propor, e as letras instrospectivas e reflexivas...




Lunatic Soul - "Lunatic Soul"
(créditos ETS)
1.
prebirth (1:10)
2. the new beginning (4:50)
3. out on a limb (5:27)
4. summerland (5:00)
5. lunatic soul (6:47)
6. where the darkness is deepest (3:57)
7. near life experience (5:27)
8. adrift (3:05)
9. the final truth (7:34)
10. waiting for the dawn (3:36)

Music and lyrics by
Mariusz Duda

exceto em
  "Summerland", Where the Darkness is Deepest", 
"Near Life Experience", "Waiting for the Dawn" by
de Mariusz Duda and Maciej Szelenbaum

Gravado e masterizado por 
Robert Srzednicki at Serakos Studio, Warsaw, 
Poland between Jan – Jul 2008

Mixado e produzido por
Robert Srzednicki and Mariusz Duda

Photo, design and layout by
Rafał Buczek